2 anos e muita coisa aconteceu.
- 夢ちゃん

- 5 de jun. de 2019
- 6 min de leitura
Eu já nem sei mais como começar esses posts. Eu tinha desativado o blog e andava num mar de desilusão dentro do curso. O japonês é tudo que sonhei, mas eu não fui forte emocionalmente pra encarar tudo que veio com a mudança e adaptação em PoA. Vou registrar a trajetória até aqui por questões de: Um dia eu vou olhar pra trás e dar risada. (Eu espero~)

Logo que cheguei em Porto Alegre tinha muitos planos de conseguir vaga no CEU (Casa do Estudante) e de ficar "independente" e próxima do campus, mas a burocracia era gigantesca. Um monte de papelada que eu não me preparei e foi difícil. Fiquei os primeiros meses de favor na casa de uma prima enquanto buscava quartos pra alugar e já começou difícil por aqui. Eu devo muito à ela por ter me acolhido, mas ela estava grávida e já tinha uma filha pequena. Era complicado estudar e ter momentos mais "meus", sem falar na inconveniência que era ficar ocupando o apartamento de uma família com a qual não está acostumada. Era uma contagem regressiva, pois quando a Elena nascesse eu não teria espaço mais. Apesar disso era primeiro semestre e eu estava nas nuvens, nada podia me abalar e consegui achar uma menina que queria dividir a casa. E aqui a saga começa.

Saga Pt. 1 - A primeira colega de casa
O primeiro local que achei para dividir parecia ótimo. Uma casa bem pequena, com uma garota que curtia coisas relacionadas ao Japão. Demorou alguns dias pra ela desocupar o quarto que eu usaria, mas tudo bem. Não era um local muito "equipado" digamos assim, mas eu já sabia e aceitei. Não tinha geladeira, por exemplo. Então era realmente difícil fazer comida em casa porque não tinha como manter alimentos e isso me dava mais gastos. Mas tudo bem, era perto da faculdade e eu gostava. A princípio super nos demos bem, mas com o tempo as coisas complicaram. Em resumo tínhamos estilos de vida muito diferentes e começou a desandar. Passaram-se meses assim, barulho até tarde, garotos que eu não conhecia dormindo na sala (lembrando que era um local pequeno mesmo!) e a gota d'água foi quando descobri que ela estava mandando mensagens pra minha mãe dizendo coisas que não eram verdade ou insinuando que "Porto Alegre não estava me fazendo bem". Eu tive uma das crises de depressão mais fortes enquanto estive lá, não apenas por esses motivos é claro, mas também. O segundo semestre foi praticamente jogado fora, eu não saía mais do quarto pra nada, mal saía da cama. Me sentia horrível sempre. Mas eu amava o curso, não desistiria dele. Foi quase um ano que praticamente enlouqueci. Também não tinha cama ou móveis para guardar minhas coisas. Cheguei a temer perder a vaga da faculdade, pois não conseguia entrar nas aulas porque tinha crises de ansiedade e choro. Na transição de 2017~2018 também encerrei um relacionamento de 7+ anos e foi realmente difícil. Em novembro comecei a conversar pela internet com uma menina com a qual jogava rpg pelo facebook e foi ela uma das únicas pessoas com quem realmente conseguia falar. As coisas pareciam que não iam se arrumar, mas aos poucos com a ajuda dessa amiga as coisas foram se tornando menos pesadas pra mim e fui me reerguendo. Eu reprovei no Japonês 2 daquele ano. Quando eu percebi que não aguentaria mais decidi me mudar no início do 3º semestre.

Saga Pt. 2 - A Housing
Encontrei em PoA um condomínio de estudantes chamado "Housing", o valor não era bom pra mim, mas no momento teria que servir. Saía bem mais caro que quando dividia, mas pensei que em troca da minha paz eu poderia conseguir. Era uma cabana com banheiro, já vinha com cama e mesa de estudos e a cozinha era compartilhada. Fechei contrato de 6 meses e logo já estava tudo engrenando. Iniciei um relacionamento com a amiga do rpg um pouco antes e as coisas estavam ótimas e fluindo. Os primeiros meses foram extremamente agradáveis no lugar, fiz ótimos amigos e era bom de se morar. Foi meu melhor semestre na faculdade também. Havia uma gatinha no pátio, tudo parecia perfeito. Nos dois últimos meses um grupo de amigos se mudou pro lugar, eram uns 6 +/-, e não existia regras pra eles. Iam até 00:00 literalmente gritando na cozinha em dias de jogo na TV, se trancavam lá dentro e ninguém conseguia usar. Tinham vários problemas de outros moradores com comentários racistas e homofóbicos... E o valor não me animava. Nesse ponto eu já havia me tornado outra pessoa. Antigamente eu era quieta demais, aceitava tudo de cabeça baixa sem reclamar. Não pedia nada nem negava. Eu me tornei muito impaciente com pessoas que não pareciam se importar (ou que viviam olhando apenas pra si mesmo e não enxergavam quem tava em volta).
Quando o contrato começou a chegar perto do vencimento passei a buscar outros lugares. De novo. Eu havia me apegado ao filhote da gata que vivia lá, ele havia sido maltratado pelos moradores baderneiros e eu não consegui deixar ele para trás, mesmo sabendo que não tinha tantas condições. Assim eu encontrei a pensão onde uma colega do japonês morava. E não demorou pra eu me mudar e dividir quarto com ela e com o Tigre.

Saga Pt. 3 - A Pensão
Indo de uber, em 3 ou 4 viagens carreguei todas as minhas coisas. E o gato. Era minimamente mais barato, mas era central e aceitava animais. Foi uma fase de adaptação difícil pro Tigre, que ainda é muito arisco, mas foi a melhor colega de quarto que eu podia encontrar. Era temporário, apenas porque não queria deixar o bichinho pra trás, então tudo estava ok. Nunca tive problemas com a Vitya, que dividia o quarto comigo, e até hoje dividimos ainda que não no mesmo lugar. A pensão tinha mais garotas e pouco controle das coisas. Então não era incomum que pegasse comida das outras ou materiais de limpeza. Infelizmente pra mim dinheiro nunca foi fácil, estive sempre com a corda no pescoço e ainda continuo. Não queria ter que me preocupar sempre se alguém pegaria minhas coisas ou não, porque nos piores momentos não tive dinheiro pra ir pra faculdade ou pra comer. Tive muita ajuda de colegas e amigas e se não fosse por elas não sei o que teria feito. Quando tava começando a me afundar novamente em crises de ansiedade e depressão perto das eleições o apartamento em que fiquei com minha prima nos primeiros dias ia vagar... Ela estava me oferecendo pra alugar.

Saga Pt. 4 - O "Apertamento"
Não pensei duas vezes em convidar a Vitya para o apartamento e logo decidimos chamar também outra menina da pensão. Em poucos dias já estávamos nos mudando e tudo foi lindo nos primeiros meses. Alguns desentendimentos começaram a acontecer e algumas brigas desestabilizaram nossa relação com a menina que veio da pensão, mas ainda assim seguimos as 3 aqui.
Na virada de 2018~2019 sofri dores absurdas que achei que fosse morrer. Descobri que tive 4 pedras nos rins, duas continuam lá. Ao mesmo tempo estava sendo admitida em um emprego de call center do Detran, onde eu gostava muito de trabalhar inclusive. Apesar dos excelentes feedbacks da equipe, um por um fomos sendo demitidos aos 3 meses. Fiquei sem meu salário e recebendo menos auxílio da faculdade porque peguei menos cadeiras para poder trabalhar. Em seguida vieram os cortes de verbas e isso respingou diretamente nas bolsas da faculdade.
Foram momentos difíceis, ainda estão sendo. Eu me sinto bastante estagnada no japonês, como se não conseguisse aprender mais. Mas isso daria um post por si só e é algo que preciso falar com mais calma, porque eu sei que não sou a única me sentindo assim e quem sabe alguém que leia esse blog no futuro passe por isso. Eu estava bem desanimada com meu desempenho e questionando algumas escolhas, mas nem tudo é um inferno e finalmente realizei o sonho de ir num show de the GazettE. (Que também dá um post inteiro e ainda vai ser feito!)

Finalizando!
É engraçado como as coisas acontecem. Por mais que às vezes eu queira gritar, só cheguei onde cheguei graças à todas essas coisas. Tudo foi um aprendizado e fonte de amadurecimento. E viver sozinha é algo que não troco por nada (mesmo adorando ir comer comida de mãe às vezes!). Eu e meu ex somos muito amigos, meu relacionamento com minha namorada é incrível de tão bem que me faz e estou aprendendo a me virar e a me impor.Estou perdendo medos e me amando mais. E apesar de toda estagnação estou sendo capaz de ver minha evolução no japonês.
Algumas pequenas coisas são como combustível: Todas as vezes que alguém elogiou meus hiraganas ou kanjis, todos os bilhetes de apoio que recebi nas aulas de produção textual, quando me disseram que eu inspirava as pessoas a estudar (!) duas vezes.São coisas que me lembram porque escolhi esse curso e porque amo tanto estar aqui. E é por isso que o blog tá voltando das cinzas. Não desistir é o que importa.





Comentários